OBRIGADO POR SUA HISTÓRIA

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Júnior Carriço lançará livro no Charitas, dia 21 de outubro! Venha, você vai gostar...

Um dos mais importantes artistas da Região dos Lagos, Júnior Carriço tem motivo de sobra para curtir sua vida de músico, compositor e poeta. Bem posicionado não só pelo fato de ser de uma família extremamente musical, já que seu avô, Vitorino Carriço, é compositor dos hinos de Cabo Frio e Arraial do Cabo. Hinos que, diga-se de passagem, fogem à estrutura marcial e ganham tom de marchinha de carnaval, com letra, poesia e música originais. Sustentar o nome "Carriço" é praticamente uma grife artística para quem vive de música, por essas bandas de cá.
Por outro lado, quem viu os shows de Júnior Carriço, sabe da qualidade de seu trabalho musical, além da riqueza de seu repertório. Recentemente, ele tem feito parceria musical com Sarah Dhy, outra artista de primeira, que ainda vamos falar sobre, neste blog. Júnior e Sarah Dhy costumam lotar teatro, bares e centros culturais da região, para quem aprecia boa música e gosta de ficar quietinho, com ouvidos atentos, afiados e focados no repertório maravilhoso destes artistas.


Não perca. Dia 21 no Charitas - Cabo Frio /RJ
Pois é, rapaziada, dia 21, então, vamos curtir este livro de poemas e composições musicais, a fala poética de um artista que prima pela qualidade e ousadia de suas composições, tanto quanto de sua poesia. E ainda tem mais uma, o selo de lançamento de do livro é o FLORES LITERÁRIAS, um dos mais charmosos saraus de Cabo Frio e que também é um selo literário. 
Corre pra ver, curta e participe e me conte...

(Jiddu Saldanha - Blogueiro)

domingo, 20 de agosto de 2017

Contadores de História em Rio das Ostras.

No camarim do Teatro Popular de Rio das Ostras, não importa a hora e
o lugar, o lema é trabalhar pela cultura!
Quando fui a Rio das Ostras apresentar meus espetáculos de mímica, tive o prazer de reencontrar uma amiga de longa data, Arminda Freire, uma irmã de luta, uma mulher que colocou a arte, em especial o Teatro e a Literatura como fonte de existir. Fiquei feliz porque meu trabalho foi produzido por ela e ela sabe fazer acontecer. Eu e meu grupo, tivemos a felicidade de levantar nosso novo espetáculo, a partir de uma estratégia infalível, que envolveu diversas pessoas, empresas, poder publico e, claro, um dos mais belos teatros de nossa região; o Teatro Popular de Rio das Ostras.
Arminda é dessas pessoas inquietas, que faz do teatro, um intenso conviver cotidiano, e na sua busca, por um mundo de mais arte, ela não para. Próxima de completar 70 anos, ela diz "não tenho vergonha de dizer minha idade, porque minha vida está sendo bem vivida". Ouvir algo assim, é estar em contato com a essência de um fazer artístico que vem na verve cotidiana e se espalha pelo corpo físico e espiritual da existência.
A novidade é que, Arminda, está a todo vapor, preparando sua mais recente peripécia. O III Encontro de Contadores de Histórias, e que irá juntar, na região, narradores que vão mostrar sua arte, refletir sobre um fazer que é profundamente focado na cultura em sua mais ampla extensão. Um lugar onde todas as vozes vão poder falar e, sobretudo, narrar. 
Se a arte do narrador encontra eco em nossa região, devemos muito à Arminda e suas generosas oficinas, onde ela distribui seu vasto conhecimento e experiência sobre o assunto. Conversar com ela, por si só, já é um aula de mundo, de vida, de arte, entretanto, quem tem o privilégio de se matricular em seus cursos, sai banhado da melhor água, aquela vem dos grandes rios. O rio da vida, em Arminda Freyre, é um leque de experiências que só podemos sentir-viver, quando nos deixamos afetar pelo seu afeto e seu vasto repertório educativo e artístico. Por isso, recomendo... dia 25, 26 e 27 de Agosto, Rio das Ostras vai se deleitar com o III Encontro de Contos & Contadores. Consulte a programação:

Jiddu Saldanha - Blogueiro

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Maestro Budega e o turismo artístico-musical de Cabo Frio.

No hotel La Brise, Budega, ao lado da produtora Luciana Branco  e os musicos 
Lucas, David e Jesse, para a segunda edição do evento, "O Choro Comeu".
Que Cabo Frio é a cidade do Turismo, disso não se tem dúvida, embora, aqui, a vida cultural seja intensa e a cidade respire algo que vai muito além das belas praias. Cabo Frio é, para quem tiver olhares e ouvidos atentos, um caldeirão cultural, por onde pulsa a vida e a energia de muitos artistas locais. Que seja através de música nas praças, onde acontecem eventos que vão do Gospel ao Jongo, do Samba ao Choro, das Batalhas de Rima às Festas de Reis.
Quando um turista chega na cidade, ele curte a praia e se diverte vendo um céu azul, belos barquinhos entrando mar adentro, transatlânticos que circulam pra lá e pra cá; porém, quando chega a noite, este mesmo turista, se tiver tino aguçado e gostar de arte, vai entrar no mundo da música cabofriense, e é aí que entra o Maestro Budega. muitos de seus discípulos podem estar tocando pela noite. Sim, porque Budega, através de seu projeto "Apanhei-te Cavaquinho", não só tirou jovens das ruas, ajudou a incluir pessoas, conferindo-lhes cidadania para lidar com as intempéries do dia-a-dia, mas também, forneceu uma rica energia para que esses mesmos jovens, pavimentassem a vida cultural noturna da cidade.
Ao lado de Abel Silva, no Iate Clube. Papos e mais papos
sobre música brasileira e muitas composições!
São discípulos e parceiros, que circulam pela vida louca de uma das cidades mais badaladas do Brasil, em que pese, sua população pacata e a tranquilidade cotidiana, na verdade, existe um verdadeiro veio, um profundo manancial de arte, onde a música é o carro chefe e, se tem música, sempre tem um dedinho do MAESTRO BUDEGA.
Mais do que artista, Budega é desses profissionais que contribui para pensar a música, de um ponto de vista que procura, acima de tudo, estabelecer conceitos, sem pedantismos. Ao mesmo tempo que prima por um repertório que inclui o melhor da cultura musical brasileira. Ele se propõe a levar aos jovens uma reflexão aprofundada sobre a relação tocar, cantar e se apresentar, afirmando, assim, uma identidade que vai do local ao universal.
Quando comecei a fazer perguntas sobre sua tragetória artística, Budega sempre faz questão de deixar claro que o que faz é uma missão e que ele nunca teve dúvida disso. Se hoje a cidade desfruta de uma elenco de jovens que tocam na noite, e se alastram pelo mundo todo em bandas que vão do Jazz, ao
No Iate Clube, uma parceria com seu
irmão, Alvinho - 2017.
erudito e ao popular, só fez isso porque estava imbuído de orientar as novas gerações em direção ao que ele acha importante e relevante como discussão, reflexão e execução musical. "Nunca fiz nada, pensando no meu ego. Acho que o PROJETO, deu e dá sua contribuição para o mundo da música, por isso, a partir de 2016, comecei a me empenhar na busca de uma sede para continuar levando isso adiante, de um outro patamar".
Com esta fala benfazeja, Budega conclama o empresariado da cidade a investir mais na vida turístico-cultural da cidade, sem dúvida, uma vocação que vai bem além das praias.
O projeto Apanhei-te Cavaquinho, ao longo de seus quase 20 anos de existência, começa a alçar vôos a partir de um profundo comprometimento com a música brasileira.


Veja o curta "BUDEGA" feito pelo projeto Cinema Possível - Lançado em 2016
no cine clube Cine Mosquito.



Jiddu Saldanha - Blogueiro 
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quarta-feira, 26 de abril de 2017

O mundo mítico de Gilgamesh - A Caminho de Forteleza, Ceará!

A história de Gilgamesh traz informações preciosas sobre o mundo antigo. A forma como o Deus Sol, era adorado e a relação entre as catástrofes naturais, com o fim do mundo. Um sentimento de impermanência, somado a um desejo de eternidade, algo que está nas civilizações, desde que o mundo é mundo, pautando o caminhar humano sobre as grandes planícies da existências.
Contei esta história algumas vezes, e venho, até hoje, buscando um caminho narrativo, espontâneo, que faça sua oralidade fluir, junto com a expressão da mímica natural do meu corpo. Tem sido, assim, um caminho dificílimo num momento em que memória e poesia, cada vez mais, se confundem em minha mente.
Não é nada fácil encontrar essa essência narrativa, tentando uma expressão que, longe de ser virtuosa, encontre apenas o coração e a pulsação do público em cada nuance, escultura visual-corpo-vocal, desta tão profunda, bela e misteriosa história da humanidade. Andar pelas antigas planícies da suméria e acordar em Cabo Frio, contemplar o mar, suas belezas, contemplar a vida, viver a relação de paz, amor, esperança e gratidão, diante de tantas dúvidas que me assaltam a cada momento.
Em Fortaleza, uma esperança nova, uma cortina que se abre, para mostrar minha experiências com esta história. Junho chegando, e a possibilidade de novas descobertas sobre o ato de "narrar de memória", utilizando o conhecimento da mimica enquanto elemento que sustenta alguns traços da oralidade proposta neste texto. Venha a luz deste momento, venha a glória de aprender sempre e cada vez mais, diante de uma platéia.

Os muros que separam nossa humanidade, construídos para depois serem
demolidos por ossa humanidade que busca a evolução. Foto: Alexandra Arakawa,
10º Simpósio Internacional de Contadores de Histórias, 2011, durante
a narrativa mítica de Gilgamesh, o Rei Semi-Deus...
A primeira vez que contei esta história, foi em 2010, no "Conto 7 em ponto", em Belo Horizonte. No ano seguinte, 2011, fui para o Simpósio Internacional de Contadores de Histórias, no Rio de Janeiro e depois disso, saí por aí, contando essa história em diversos eventos, praças e escolas. Dei uma parada, para mergulhar, sentir, aprofundar, entender. AGORA ESTOU DE VOLTA.
Gilgamesh a uma das histórias que mais se aproximam do meu jeito de viver, contar e narrar!

vou membora pra uruk
a terra de gilgamesh
lá contarei histórias
lá rezarei minhas preces

terei um amigo rei
que vai me apertar a mão
serei amado e respeitado
naquela imensidão

vou membora pra uruk
subir em árvores de cedro
cavalgar o leão alado
por sobre os muros de pedra

em uruk serei feliz
terei amigos de montão
vou apertar meu abraço
com gente do coração

lá, não serei mais um
serei poeta, serei flor
em uruk, viverei
somente do meu amor.

(jiddu)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O Estranho e apaixonante mundo da cachorra Laika!

Hoje acordei triste com uma notícia, de que tramita no congresso nacional, uma lei que vai liberar a caça de animais silvestres. Esse tipo de abordagem está proibido, no Brasil, desde 1967. Caçar animais silvestres é  algo bem trágico, ao legalizarem a caça, estarão legalizando a barbárie. 
Inspirado nesse episódio trágico, lembrei que reescrevi de memória e ação, a história da Cachorra Laika, que foi enviada para o espaço em 1957, a cachorrinha, nascida nos arredores de Moscou, chamava-se, na verdade, Skruvlávka, o nome Laika, foi uma forma de tornar a pronúncia mais fácil para quem desconhecia a língua russa.


Em toda sua dimensão de ternura, Laika representa a esperança de que um dia a humanidade vai recuperar sua inocência!
Minha versão da história da cachorra Laika, remonta o Simpósio Internacional de Contadores de Histórias, um evento magnífico que teve 12 edições, desde 2001. Recriei a história em homenagem ao meu pai, que sempre a narrava para mim, com muita energia e ação. Tempos depois, quando comecei a aprofundar a leitura sobre este episódio, descobri que muitos cachorros, durante minha infância, em Curitiba, tinham o nome de "Laika".
O envio da cachorra Laika, ao espaço, na nave Sputnik II, em 1957, mexeu com o imaginário de muitas gerações e remonta a época da guerra fria entre a extinta URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e o bloco capitalista, capitaneado pelos EUA. O que pouca gente sabia, na época é que Laika foi enviada ao espaço para morrer. A tecnologia que a levou para orbitar a terra não era suficiente para trazê-la de volta e isso gerou comoção no mundo inteiro. Dizem até que este fato, foi fundamental para que se criasse a Sociedade Protetora dos Animais.

Jiddu Saldanha
www.jiddusaldanha.com.br



terça-feira, 1 de novembro de 2016

ARTUR GOMES E ANDRE GARCIA - DOIS MOMENTOS PARA O POESIA DE CENA 2016

Isso mesmo, uma verdadeira máquina de falar poesia. Muitos acreditam ser uma reencarnação do próprio Evtutchenko, o poeta russo que falava poemas em estádios de futebol lotado. Quem já teve o prazer de ouvir este gigante da poesia brasileira, não tem ideia de sua força e fúria poética. Artur Gomes é, ao lado de Mano Melo, Lília Diniz, Dalmo Saraiva, Marisa Vieira e Elisa Lucinda, o maior nome da poesia falada no Brasil.
Já André García é, sem dúvida, um dos mais arejados poetas de Cabo Frio, com uma pegada forte na reflexão politica, sua obra está surgindo com grande força e irreverência. Se tem alguém que leva a sério o que faz, esse alguém é André. Suas publicações já circulam a muito tempo pelos espaços alternativos de Cabo Frio e Região dos Lagos, mas agora, depois que criou o selo CAMARADA GARCIA, passou a realizar sonhos de outros poetas, inclusive eu. Com seu belo fazer criativo, de publicações alternativas, sua oficina de Fanzine, é um verdadeiro despertar para a arte e o viver em si.
Cabo Frio, no POESIA DE CENA 2016, vai encontrar um pouco da sua essência, através de tantas possibilidades criativas e muita invenção, a partir do exercício da palavra poética, praia em que Artur Gomes e André García, já navegam a muito tempo, não sem se se "antenar" nos acontecimentos atuais dentro da arte do fazer, criar e escrever poesia. Enfim, fazer literatura!

Artur Gomes e André García, momento único para estar com os dois ao mesmo tempo.  Vale a pena fazer, ver e viver o que
eles tem para ensinar para todos nós.
A POESIA FALADA COM SUA FORÇA TOTAL

Nascido na Cacumanga, em Campos dos Goytacazes, Artur Gomes já fez de tudo na vida. Foi da cavalaria montada, chegando a tornar-se Dragão da Independência, isso mesmo, aqueles soldados que se vestem com uniforme imperial e guardam o palácio do planalto. Mas tem uma profissão que poucos conhecem hoje em dia: Artur foi Linotipista, isso mesmo, na época em que não existia máquina de impressão eletrônica, ele se fechava numa câmara para fabricar letras de chumbo que, posteriormente, seriam colocadas na máquina de impressão, para virar livro e anúncio de jornais.
Nos anos 60 Artur praticamente teve a revelação da poesia, e atravessou a década de 70 gritando seus poemas aos 4 ventos, por este Brasil a fora. Tive a honra de encontrá-lo inúmeras vezes pela estrada e cheguei a fazer alguns filmes sobre ele, do qual destaco o POESIA PROIBIDA, nome de seu recital que tive a honra de dirigir, por volta de 2012. Artur é um monstro sagrado, um poeta verdadeiro, com uma pegada forte e direta. Sua poesia traz uma palavra revolucionária e erótica. Seu jeito de eterno menino, esconde sua idade, Artur é o poeta que nunca envelhece. Sua fúria, sua criatividade, sua alma é a dos verdadeiros travadores medievais, cavaleiros quixotescos, lutando eternamente contra os moinhos de ventos da vida.
Em 2007, eu e este grande poeta nos trancamos para estudar a fundo o impacto das novas tecnologias na arte da poesia, o resultado foi o surgimento do polo Cinema Possível de audiovisual e a Fulinaima Vídeos, a partir daí, passamos a utilizar o audiovisual como plataforma de criação para diversos suportes de internet. Artur é uma usina viva de criação e sua arte é, hoje, reconhecida em todo o Brasil.

OFICINA DE POESIA FALADA

Com um método único de memorização e declamação em público, Artur é desses professores poetas que você aprende rindo e se divertindo muito. No final das contas, conviver com ele, ouvi-lo falar em público, e descobrindo a sua verve poética, é a forma mais simples e direta de mergulhar no misterioso mundo de falar poesia para grandes públicos. Foi assim que o conheci, nos anos 90, em alguns dos principais momentos da vida literária do País. Indo por bienais, eventos literários em calendários de cidades por todo o Brasil, lá estava ele, o POETA PROIBIDO que libertava a palavra presa na garganta. Vamos aprender com ARTUR GOMES!

ANDRÉ GARCÍA E O FANZINE EM CABO FRIO

André já circulou por diversos lugares da cidade, como poeta, é uma espécie de "andarilho urbano", desses que vai aos lugares sem compromisso. Chega a hora que quer e sai quando a gente menos espera, comportamento típico de poeta. Bom mesmo é ouvir seus poemas, quando ele sobe no palco, fala com o coração e mostra uma poesia ácida que não deixa pedra sobre pedra. André é um artista que resolveu levar sua arte a sério e vive vida de poeta, dividindo seu tempo entre a produção, o emprego e reinvenção de si mesmo.

Com um vasto conhecimento sobre o tema Fanzine, André mantém seus interlocutores totalmente focados no assunto!
Desde que o conheci, ele investe, sempre, na sua produção. Cria seus livros, e sai por aí, vendendo seu material. Reclama que ninguém lê, tremendo "sétium", já que, se tem escritor em Cabo Frio que tem leitores, esse cara é ele. Blogueiro da pesada, publica com disciplina e quem conheceu sua fase cineasta, sabe que seus filmes causavam sensações no Cine Mosquito, o Cine Clube mais antigo de Cabo Frio.  
Uma vez, a galera do OFICENA deu por falta do André e começou a especular porque ele não foi mais ao curso, respondi logo para que não ficasse dúvida. André é um poeta, ele veio aqui por comprometimento com sua poesia, veio e foi embora, a nós, só resta a gratidão, por saber que tivemos, circulando pelas entranhas escuras do teatro semi-abandonado, a figura daquele que será, talvez, um dos poucos poetas que se salvará, de fato, enquanto criador de uma obra robusta.
Sobre a oficina de fanzine, do André García, soube, pela primeira vez uma que ele deu na Casa Ancorada e utra que foi ministrada no espaço Aroeira, praticamente nos dois extremos da cidade. André, é um cara muito produtivo e suas publicações já lhe renderam omentos incríveis como, por exemplo, a Inserção de Henrique Selani, definitivamente, no mundo da poesia local, além de criar uma forte energia de atividade voltada para a construção do Fanzine, que, não para de se multiplicar em sua mesa de criação e exposição.



Jiddu Saldanha - Blogueiro.

Palestra e roda de bate papo no POESIA DE CENA 2016

Conheci Herbert Emanuel, em 1991, na primeira edição do Congresso Brasileiro de Poesia, em Nova Prata - RS, onde, convivemos com a nata da literatura alternativa brasileira. Encontro inesquecível com Alice Ruiz, Oscar Bertoldo, Leila Miccolis, Mário Pirata, Helio Leites, Paco Cac e tantos outros. De lá pra cá, "muita água passou por debaixo da ponte", e cultivamos uma amizade que completou 30 anos, em 2016. Herbert aceitou o convite para dar sua palestra no POESIA DE CENA 2016. E que será, também, assunto da mesa de bate papo com intelectuais locais de Cabo Frio, será um grande momento para nós.

Herbert Emanuel, poeta e Filósofo, ao lado de Jiddu Saldanha, sua companheira
Adriana Abreu, o jovem ator Danilo Tavares e a Atriz Karol Schittini, em Sta.
Tereza, Rio de Janeiro - 2016.

POESIA: PAIXÃO (TESÃO) DA LÍNGUA

Pra início desta conversa (ou desconversa) fiada, que se fia, se desfia, se ata e se desata, eu desejo que esta seja uma viagem de língua na linguagem  ou um banquete de palavras, suculentos pratos de palavras, (ADRIANA RECITA QUE BELA SOPA) para a nossa “saboração”. Saboração é uma palavra inventada, palavra-valise, pois traz dentro de si (pelo menos, tem essa pretensão) o saber, o sabor e sedução: saboração.

(RECITAR O POEMA SABORAÇÃO)

Lewis Carrol, matemático e poeta inglês, autor de “Alice no País das Maravilhas”, foi um grande inventor de palavras-valise: gritos+silvos= grilvos; grama+silvos= gramilvos (na tradução de Augusto de Campos do seu “Jabbrwocky”, Jaguardarte). James Joyce, leitor de Carrol, também: fumante+furioso= fumiroso. Entre nós, Souzândrade, poeta maranhense redescoberto pelos irmãos Campos, com suas palavras-montagem: “jubilogritantes”, “algaverdecomados”, “escamiventreprateados”. Leminsk, em sua poesia-prosa-caoscósmica chamada Catatau nos fornece outro exemplo: “calverdáver”, “contagotagiosas”. Há umas palavras-valise deliciosíssimas do Caetano Veloso:

(INTERLOCUTOR)
Nada dessa cica de palavra triste em mim na boca
Travo, trava mãe e papai, alma buena, dicha louca
Neca desse sono de nunca jamais nem never more
Sim, dizer que sim pra Cilu, pra Dedé, pra Dadi e Dó
Crista do desejo o destino deslinda-se em beleza:

Outras palavras

(HERBERT)
Parafins, gatins, alphaluz, sexonhei da guerrapaz
Ouraxé, palávora
Lambetelho, frúturo, orgasmaravalha-me, felicidadania:

(INTERLOCUTOR)
Outras palavras

            Na verdade, eu desejo que esta conversa seja uma grande brincadeira - brincadeira com a matéria-prima da poesia: as palavras, pois fazer poesia é, de certo modo, molecar com as palavras; portanto, brincar, “descobrir a infância em nós”.  

(INTERLOCUTOR RECITA O POEMA DE JOSÉ PAULO PAES)

            O meu objetivo aqui é estabelecer um di-álogo poético, que é ao mesmo tempo, no dizer do poeta mexicano Octávio Paz, um acordo e um acorde, pois pressupõe a cumplicidade de vocês, mas é também melos, no sentido que os gregos davam a esta palavra, que significava ao mesmo tempo canto e encantamento. Música, portanto, para ouvidos atentos. (ADRIANA RECITA FALSA BALADA TOSCANA).
           Música, melodia, canto, encantamento. O que é a poesia?

(INTERLOCUTOR RECITA O POEMA A PALAVRA EM PONTO DE POEMA)

     Eu diria que é o exercício de uma paixão especial: a paixão pela linguagem.
            O que é uma paixão? (ADRIANA RECITA ISMÁLIA) Comecemos pela etimologia. Os gregos tinham duas palavras “paixão”: uma que significava “sofrimento”, “fixação”, “obsessão”, era a palavra páthos. (não é comum dizer-se de uma pessoa apaixonada, que está sofrendo, sofrendo de amor? a paixão –pathos- tem dessas coisas: nos deixa meio paralisados, meio patéticos). Aí entra a outra palavra paixão:  é timos. Timós, para os gregos, significava “coragem”, “força”, “ânimo”, (pois timós também pode significar “fumaça”, “sopro”, “vento”, mesma raiz, portanto, da palavra anima, animus). Neste sentido, a paixão também é impulso para fazer algo, é ação, movimento. Pensar o movimento das coisas foi a paixão dos gregos. Voltando a pergunta: O que é paixão? Eu diria que é o interesse exacerbado, obsessivo, corajoso e desmedido por  algo: homem, mulher, planta, bicho, poema.
 A poesia é exatamente esse interesse exacerbado, obsedante, corajoso e desmedido pela linguagem. É páthos e timós ao mesmo tempo.
             Mas o que é a linguagem?
 (INTERLOCUTOR RECITA O POEMA DO MÁRIO)
Diz o filósofo alemão, Heidegger, que a linguagem é a “morada do ser”; é o lugar, o local, o manancial onde o “ser” se desvela, se revela, vem à tona, isto é, passa a existir. O homem, o mundo e todas as coisas só existem através da linguagem. Como entender o homem, o mundo e as coisas, sem chamá-los de “homem”, “mundo” e “coisas”?
(INTERLOCUTOR RECITA NIETZSCHE). Ou como diz Octávio Paz:

 “A palavra é o próprio homem. Somos feitos de palavras. Elas são nossa única realidade ou, pelo menos, o único testemunho de nossa realidade. Não há pensamento sem linguagem, nem tampouco objeto do conhecimento: a primeira coisa que o homem faz diante de uma realidade desconhecida é nomeá-la, batizá-la”. E também erotizá-la.
(INTERLOCUTOR RECITA O POEMA DESDE DENTRO DA UMIDADE DA PALAVRA À UMIDADE DO TEU SEXO RECLAMA MINHA LÍNGUA.
Se a poesia é a paixão da linguagem, e a linguagem é a “morada do ser”, como disse Heidegger, é evidente que o poeta (poiétes) é o sujeito dessa paixão e é aquele que habita plenamente essa “morada”. (INTERLOCUTOR RECITA O POEMA A CASA)
            Na verdade, todos nós habitamos a linguagem, posto que a utilizamos cotidianamente para fins de comunicação. A maioria das vezes é um uso pragmático. Agora, habitar plenamente é outra história. Habitar plenamente é perfurar este manancial, que é a linguagem, fazendo jorrar a “palavra dizente”2, o pulso das palavras, como disse Maiakóvsky:

Sei o pulso das palavras, a sirene das palavras
Não as que se aplaudem do alto dos teatros    (herbert)
Mas as que arrancam caixões da treva
e os põem a caminhar quadrúpedes de cedro.
Às vezes as relegam inauditas, inéditas    (herbert)
Mas a palavra galopa com a cilha tensa
ressoa os séculos e os trens rastejam
para lamber as mãos calosas da poesia.  (herbert)
Sei o pulso das palavras, parecem fumaça
Pétalas caídas sob o calcanhar da dança
Mas o homem com lábios, alma, carcaça. (herbert)

Fazer jorrar a “palavra dizente” significa dizer o essencial. Dizer o essencial é justamente dizer o não-dito, o que escapa à rotina dos clichês, ou dizer o já dito de outra forma, (INTERLOCUTOR RECITA O POEMA COMPOSIÇÃO ESTRANHA) inventando para as palavras já gastas, corroídas e enferrujadas novos relacionamentos, nova sintaxe. (INTERLOCUTOR RECITA MANOEL DE BARROS)

Só o poeta é capaz disso, dessa “residência poética”. “Rico em méritos, é, no entanto, poeticamente que o homem habita esta terra”, afirmava o poeta alemão Hölderlin. Habitar a terra, ressignificando-a. Há aqui uma responsabilidade ético-estética com a linguagem. O bom poeta torna a língua mais rica; o mal poeta a empobrece. Poisa poesia é como a lavra do radium, um ano para cada grama – para extrair uma palavra, milhões de toneladas de matéria-prima”, já exigia Maiakóvsky. Poesia é linguagem elevada à enésima potência de significação. Neste aspecto, vale citar o poeta Manoel de Barros, que expressa num único verso esta função precípua do poeta e da poesia: MINHOCAS AREJAM A TERRA; POETAS, A LINGUAGEM.