OBRIGADO POR SUA HISTÓRIA

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Luiz Otávio Oliani faz uma homenagam póstuma a Pedro Lyra.

Morreu ontem, dia 23 de de Outubro, o querido poeta Pedro Lyra, uma das forças da poesia brasileira. Estamos todos consternados e sentindo sua falta. Segue abaixo uma bela homenagem do poeta Luiz Otávio Oliani. (Jiddu - Blogueiro)
Um poeta que deixou sua marca no fazer poético com um exercício
vigoroso da linguagem.
Meu primeiro contato com Pedro Lyra foi na graduação na Faculdade de Letras da UFRJ, quando tive aulas de Teoria Literária com o Grande Mestre. Lembro-me de um professor brilhante que apresentava o mundo das letras a nós, naquela época, ainda insipientes naquele universo. A forma como lecionava era de um brilhantismo incrível e era raro alguém não apreciar as aulas daquele grande gigante.
A faculdade passou sem que eu tivesse apresentado a Pedro Lyra um poema meu sequer. Em 1998, quando fui aluno dele, já rascunhava poemas e muitos outros textos, mas nada tinha sido publicado em livro. Era cedo demais.

Coincidentemente com o ingresso na Letras, foi neste período que conheci Teresa Drummond, criadora do Projeto Cultural POETA SAIA DA GAVETA, com a qual fiz Oficina Literária. Em paralelo, a arte da palavra fluiu em minha vida.

Anos depois, reencontrei Pedro Lyra num evento do Grupo Poesia Simplesmente, no Terça conVERSO no Café. Àquela época, em 2001, eu fazia parte da equipe da extinta Revista Literária da SPN (Sociedade dos Poetas Novos) de que fui membro até 2004 quando ajudei na produção de revistas alternativas.

À frente, com o passar dos anos, lá estava Pedro Lyra publicando livros e fazendo sucesso.
Nos tempos virtuais, estreitamos a amizade e, em 2013, se não me falha a memória, estivemos juntos no Congresso Brasileiro de Poesia, em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, organizado por Ademir Antonio Bacca. No famoso Hotel Vinocap, tive o prazer e o privilégio de tomar café ao lado de Lyra, de conversar com ele em diversos momentos, inclusive de homenageá-lo lendo poemas dele.
Foi neste ano, o de um grande reencontro nosso, que apresentei a Pedro Lyra um projeto meu que nascia. Pedi a Pedro Lyra um texto de apresentação para o meu quarto livro de poemas, o primeiro volume de “Entre-textos”, publicado pela Editora Vidráguas, Porto Alegre.
Lembro que, neste Congresso, lá no sul, eu já estava com a boneca do livro em andamento, algo assim, e Pedro Lyra ficou empolgado com o projeto. Sempre me deu força e me apoiou.
Mais tarde, num lançamento dele, na Livraria da Travessa, no Protesto- Estados do Ser e Argumentos, fizemos fotos com nossos livros. Festejamos. Brindamos a poesia e a amizade. Foi quando Lyra escreveu uma belíssima dedicatória na qual elogiava o meu trabalho literário. 
Recentemente, em 2017, a convite do escritor Jean Carlos Gomes, passei a fazer parte da Revist PoeART, editada por ele, e homenageamos nosso saudoso Pedro Lyra.

(Por Luiz Otávio Oliani)


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Júnior Carriço lançará livro no Charitas, dia 21 de outubro! Venha, você vai gostar...

Um dos mais importantes artistas da Região dos Lagos, Júnior Carriço tem motivo de sobra para curtir sua vida de músico, compositor e poeta. Bem posicionado não só pelo fato de ser de uma família extremamente musical, já que seu avô, Vitorino Carriço, é compositor dos hinos de Cabo Frio e Arraial do Cabo. Hinos que, diga-se de passagem, fogem à estrutura marcial e ganham tom de marchinha de carnaval, com letra, poesia e música originais. Sustentar o nome "Carriço" é praticamente uma grife artística para quem vive de música, por essas bandas de cá.
Por outro lado, quem viu os shows de Júnior Carriço, sabe da qualidade de seu trabalho musical, além da riqueza de seu repertório. Recentemente, ele tem feito parceria musical com Sarah Dhy, outra artista de primeira, que ainda vamos falar sobre, neste blog. Júnior e Sarah Dhy costumam lotar teatro, bares e centros culturais da região, para quem aprecia boa música e gosta de ficar quietinho, com ouvidos atentos, afiados e focados no repertório maravilhoso destes artistas.


Não perca. Dia 21 no Charitas - Cabo Frio /RJ
Pois é, rapaziada, dia 21, então, vamos curtir este livro de poemas e composições musicais, a fala poética de um artista que prima pela qualidade e ousadia de suas composições, tanto quanto de sua poesia. E ainda tem mais uma, o selo de lançamento de do livro é o FLORES LITERÁRIAS, um dos mais charmosos saraus de Cabo Frio e que também é um selo literário. 
Corre pra ver, curta e participe e me conte...

(Jiddu Saldanha - Blogueiro)

domingo, 20 de agosto de 2017

Contadores de História em Rio das Ostras.

No camarim do Teatro Popular de Rio das Ostras, não importa a hora e
o lugar, o lema é trabalhar pela cultura!
Quando fui a Rio das Ostras apresentar meus espetáculos de mímica, tive o prazer de reencontrar uma amiga de longa data, Arminda Freire, uma irmã de luta, uma mulher que colocou a arte, em especial o Teatro e a Literatura como fonte de existir. Fiquei feliz porque meu trabalho foi produzido por ela e ela sabe fazer acontecer. Eu e meu grupo, tivemos a felicidade de levantar nosso novo espetáculo, a partir de uma estratégia infalível, que envolveu diversas pessoas, empresas, poder publico e, claro, um dos mais belos teatros de nossa região; o Teatro Popular de Rio das Ostras.
Arminda é dessas pessoas inquietas, que faz do teatro, um intenso conviver cotidiano, e na sua busca, por um mundo de mais arte, ela não para. Próxima de completar 70 anos, ela diz "não tenho vergonha de dizer minha idade, porque minha vida está sendo bem vivida". Ouvir algo assim, é estar em contato com a essência de um fazer artístico que vem na verve cotidiana e se espalha pelo corpo físico e espiritual da existência.
A novidade é que, Arminda, está a todo vapor, preparando sua mais recente peripécia. O III Encontro de Contadores de Histórias, e que irá juntar, na região, narradores que vão mostrar sua arte, refletir sobre um fazer que é profundamente focado na cultura em sua mais ampla extensão. Um lugar onde todas as vozes vão poder falar e, sobretudo, narrar. 
Se a arte do narrador encontra eco em nossa região, devemos muito à Arminda e suas generosas oficinas, onde ela distribui seu vasto conhecimento e experiência sobre o assunto. Conversar com ela, por si só, já é um aula de mundo, de vida, de arte, entretanto, quem tem o privilégio de se matricular em seus cursos, sai banhado da melhor água, aquela vem dos grandes rios. O rio da vida, em Arminda Freyre, é um leque de experiências que só podemos sentir-viver, quando nos deixamos afetar pelo seu afeto e seu vasto repertório educativo e artístico. Por isso, recomendo... dia 25, 26 e 27 de Agosto, Rio das Ostras vai se deleitar com o III Encontro de Contos & Contadores. Consulte a programação:

Jiddu Saldanha - Blogueiro

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Maestro Budega e o turismo artístico-musical de Cabo Frio.

No hotel La Brise, Budega, ao lado da produtora Luciana Branco  e os musicos 
Lucas, David e Jesse, para a segunda edição do evento, "O Choro Comeu".
Que Cabo Frio é a cidade do Turismo, disso não se tem dúvida, embora, aqui, a vida cultural seja intensa e a cidade respire algo que vai muito além das belas praias. Cabo Frio é, para quem tiver olhares e ouvidos atentos, um caldeirão cultural, por onde pulsa a vida e a energia de muitos artistas locais. Que seja através de música nas praças, onde acontecem eventos que vão do Gospel ao Jongo, do Samba ao Choro, das Batalhas de Rima às Festas de Reis.
Quando um turista chega na cidade, ele curte a praia e se diverte vendo um céu azul, belos barquinhos entrando mar adentro, transatlânticos que circulam pra lá e pra cá; porém, quando chega a noite, este mesmo turista, se tiver tino aguçado e gostar de arte, vai entrar no mundo da música cabofriense, e é aí que entra o Maestro Budega. muitos de seus discípulos podem estar tocando pela noite. Sim, porque Budega, através de seu projeto "Apanhei-te Cavaquinho", não só tirou jovens das ruas, ajudou a incluir pessoas, conferindo-lhes cidadania para lidar com as intempéries do dia-a-dia, mas também, forneceu uma rica energia para que esses mesmos jovens, pavimentassem a vida cultural noturna da cidade.
Ao lado de Abel Silva, no Iate Clube. Papos e mais papos
sobre música brasileira e muitas composições!
São discípulos e parceiros, que circulam pela vida louca de uma das cidades mais badaladas do Brasil, em que pese, sua população pacata e a tranquilidade cotidiana, na verdade, existe um verdadeiro veio, um profundo manancial de arte, onde a música é o carro chefe e, se tem música, sempre tem um dedinho do MAESTRO BUDEGA.
Mais do que artista, Budega é desses profissionais que contribui para pensar a música, de um ponto de vista que procura, acima de tudo, estabelecer conceitos, sem pedantismos. Ao mesmo tempo que prima por um repertório que inclui o melhor da cultura musical brasileira. Ele se propõe a levar aos jovens uma reflexão aprofundada sobre a relação tocar, cantar e se apresentar, afirmando, assim, uma identidade que vai do local ao universal.
Quando comecei a fazer perguntas sobre sua tragetória artística, Budega sempre faz questão de deixar claro que o que faz é uma missão e que ele nunca teve dúvida disso. Se hoje a cidade desfruta de uma elenco de jovens que tocam na noite, e se alastram pelo mundo todo em bandas que vão do Jazz, ao
No Iate Clube, uma parceria com seu
irmão, Alvinho - 2017.
erudito e ao popular, só fez isso porque estava imbuído de orientar as novas gerações em direção ao que ele acha importante e relevante como discussão, reflexão e execução musical. "Nunca fiz nada, pensando no meu ego. Acho que o PROJETO, deu e dá sua contribuição para o mundo da música, por isso, a partir de 2016, comecei a me empenhar na busca de uma sede para continuar levando isso adiante, de um outro patamar".
Com esta fala benfazeja, Budega conclama o empresariado da cidade a investir mais na vida turístico-cultural da cidade, sem dúvida, uma vocação que vai bem além das praias.
O projeto Apanhei-te Cavaquinho, ao longo de seus quase 20 anos de existência, começa a alçar vôos a partir de um profundo comprometimento com a música brasileira.


Veja o curta "BUDEGA" feito pelo projeto Cinema Possível - Lançado em 2016
no cine clube Cine Mosquito.



Jiddu Saldanha - Blogueiro 
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quarta-feira, 26 de abril de 2017

O mundo mítico de Gilgamesh - A Caminho de Forteleza, Ceará!

A história de Gilgamesh traz informações preciosas sobre o mundo antigo. A forma como o Deus Sol, era adorado e a relação entre as catástrofes naturais, com o fim do mundo. Um sentimento de impermanência, somado a um desejo de eternidade, algo que está nas civilizações, desde que o mundo é mundo, pautando o caminhar humano sobre as grandes planícies da existências.
Contei esta história algumas vezes, e venho, até hoje, buscando um caminho narrativo, espontâneo, que faça sua oralidade fluir, junto com a expressão da mímica natural do meu corpo. Tem sido, assim, um caminho dificílimo num momento em que memória e poesia, cada vez mais, se confundem em minha mente.
Não é nada fácil encontrar essa essência narrativa, tentando uma expressão que, longe de ser virtuosa, encontre apenas o coração e a pulsação do público em cada nuance, escultura visual-corpo-vocal, desta tão profunda, bela e misteriosa história da humanidade. Andar pelas antigas planícies da suméria e acordar em Cabo Frio, contemplar o mar, suas belezas, contemplar a vida, viver a relação de paz, amor, esperança e gratidão, diante de tantas dúvidas que me assaltam a cada momento.
Em Fortaleza, uma esperança nova, uma cortina que se abre, para mostrar minha experiências com esta história. Junho chegando, e a possibilidade de novas descobertas sobre o ato de "narrar de memória", utilizando o conhecimento da mimica enquanto elemento que sustenta alguns traços da oralidade proposta neste texto. Venha a luz deste momento, venha a glória de aprender sempre e cada vez mais, diante de uma platéia.

Os muros que separam nossa humanidade, construídos para depois serem
demolidos por ossa humanidade que busca a evolução. Foto: Alexandra Arakawa,
10º Simpósio Internacional de Contadores de Histórias, 2011, durante
a narrativa mítica de Gilgamesh, o Rei Semi-Deus...
A primeira vez que contei esta história, foi em 2010, no "Conto 7 em ponto", em Belo Horizonte. No ano seguinte, 2011, fui para o Simpósio Internacional de Contadores de Histórias, no Rio de Janeiro e depois disso, saí por aí, contando essa história em diversos eventos, praças e escolas. Dei uma parada, para mergulhar, sentir, aprofundar, entender. AGORA ESTOU DE VOLTA.
Gilgamesh a uma das histórias que mais se aproximam do meu jeito de viver, contar e narrar!

vou membora pra uruk
a terra de gilgamesh
lá contarei histórias
lá rezarei minhas preces

terei um amigo rei
que vai me apertar a mão
serei amado e respeitado
naquela imensidão

vou membora pra uruk
subir em árvores de cedro
cavalgar o leão alado
por sobre os muros de pedra

em uruk serei feliz
terei amigos de montão
vou apertar meu abraço
com gente do coração

lá, não serei mais um
serei poeta, serei flor
em uruk, viverei
somente do meu amor.

(jiddu)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O Estranho e apaixonante mundo da cachorra Laika!

Hoje acordei triste com uma notícia, de que tramita no congresso nacional, uma lei que vai liberar a caça de animais silvestres. Esse tipo de abordagem está proibido, no Brasil, desde 1967. Caçar animais silvestres é  algo bem trágico, ao legalizarem a caça, estarão legalizando a barbárie. 
Inspirado nesse episódio trágico, lembrei que reescrevi de memória e ação, a história da Cachorra Laika, que foi enviada para o espaço em 1957, a cachorrinha, nascida nos arredores de Moscou, chamava-se, na verdade, Skruvlávka, o nome Laika, foi uma forma de tornar a pronúncia mais fácil para quem desconhecia a língua russa.


Em toda sua dimensão de ternura, Laika representa a esperança de que um dia a humanidade vai recuperar sua inocência!
Minha versão da história da cachorra Laika, remonta o Simpósio Internacional de Contadores de Histórias, um evento magnífico que teve 12 edições, desde 2001. Recriei a história em homenagem ao meu pai, que sempre a narrava para mim, com muita energia e ação. Tempos depois, quando comecei a aprofundar a leitura sobre este episódio, descobri que muitos cachorros, durante minha infância, em Curitiba, tinham o nome de "Laika".
O envio da cachorra Laika, ao espaço, na nave Sputnik II, em 1957, mexeu com o imaginário de muitas gerações e remonta a época da guerra fria entre a extinta URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e o bloco capitalista, capitaneado pelos EUA. O que pouca gente sabia, na época é que Laika foi enviada ao espaço para morrer. A tecnologia que a levou para orbitar a terra não era suficiente para trazê-la de volta e isso gerou comoção no mundo inteiro. Dizem até que este fato, foi fundamental para que se criasse a Sociedade Protetora dos Animais.

Jiddu Saldanha
www.jiddusaldanha.com.br